Etapas técnicas na descoberta de petróleo
- UFMG AAPG
- 3 de nov. de 2021
- 4 min de leitura
Por: Gabriel Tosi
Onde está o petróleo?
O petróleo e o gás natural são substâncias que levam alguns milhões de anos para serem formados. Eles estão presos em rochas sedimentares que, muitas vezes, se localizam no fundo dos oceanos a quilômetros de profundidade. Como as empresas descobrem essas jazidas e, principalmente, chegam até lá para explorá-las?
O petróleo e o gás natural se formam quando camadas de rochas sedimentares ricas em matéria orgânica sofrem alteração devido ao aumento de temperatura e pressão no interior da terra. Esse material se altera formando cadeias de hidrocarbonetos, que na tentativa de escapar dos poros da rocha, acabam se acumulando em “traps” estruturais.
Tudo começa com pesquisa
A ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis) é o órgão nacional responsável por adquirir e compilar dados geológicos de todo o território nacional, que indicarão as regiões de maior potencial exploratório.
Entre esses estão dados Geosísmicos, Geoquímicos, Magnetométricos e Magnetotelúricos, bem como sondagem e levantamento aéreo.

Imagem 1: Projetos PPA realizados pela ANP em Maio de 2019. Fonte: Ministério de Minas e Energia
Levantamento de dados geológicos
O método sísmico é um método indireto de exploração da subsuperfície, capaz de criar imagens de alta definição de feições geológicas, outrora impossíveis de ter acesso. A coleta de dados consiste na geração de ondas mecânicas a partir de explosivos, que viajam através das camadas de rocha. Materiais de composições distintas possuem diferentes densidades, que modificam a propagação dessas ondas. Sensores em superfície conseguem captar essas mudanças e fazer um mapa detalhado da composição das rochas em profundidade.
Uma das principais análises geoquímicas utilizadas na avaliação de riscos exploratórios é a determinação de Carbono Orgânico Total (COT), uma vez que a presença de intervalos ricos em matéria orgânica na rocha é um pré-requisito na formação e acumulação de petróleo ou gases naturais.

Imagem 2: Levantamento de dados sísmicos.
Demarcação de blocos exploratórios
Após as análises dos dados geológicos, a ANP faz a demarcação de blocos do território com maior potencial exploratório. Esses blocos são leiloados a empresas públicas e privadas, que recebem o direito de exploração do subsolo durante determinado período de tempo.
Após adquirirem um bloco, as empresas fazem outro estudo de risco, mais detalhado, para definir o local com maior chance de conter petróleo ou gás natural. São feitos mais levantamentos geofísicos e geológicos, com análise de amostras retiradas de poços perfurados.

Imagem 3: Mapa regimes de contratação (2015)
Perfuração
Na maior parte das vezes, a perfuração do poço é a etapa de maior investimento. A perfuração é feita por uma sonda, que consiste de uma coluna de perfuração com uma broca na extremidade, dentre outros equipamentos. Se a localização do poço for no oceano, ainda será necessário um navio-sonda ou uma plataforma de perfuração.
Apenas nessa etapa é possível confirmar a presença de óleo ou gás na região. Se a presença for confirmada, configura-se uma descoberta, que deve ser comunicada à ANP em até 72h.
Viabilidade comercial do poço
Após a descoberta de óleo ou gás na região, a empresa deve fazer mais alguns testes para verificar se a exploração é economicamente viável.
Dentre os testes feitos nessa etapa estão perfuração de outros poços, retirada de amostras e testes de longa duração (TLD). Se o material cumprir as exigências do mercado, e o reservatório tiver um volume considerável, com custos para exploração economicamente viáveis, dá-se início à exploração da área.
O pré-sal
Um queridinho quando se fala de petróleo no Brasil, sem sombra de dúvidas o pré-sal tomou a boca do público desde que começou a ser explorado, ainda em 2006. Uma enorme camada de rocha porosa, rica em óleos leves e de boa qualidade, que jaz sob uma camada de sal que chega a 2 km de espessura em alguns pontos.
Sem dúvida, a descoberta dessas jazidas tão profundas e de difícil acesso dependeu de um estudo geológico intenso na bacia. A aquisição de dados geofísicos na costa leste brasileira já vinha acontecendo em grandes volumes desde 1999, mas com o advento de novas tecnologias de levantamento, geoprocessamento e interpretação de dados, foi possível criar mapas e imagens de alta resolução das camadas de rocha antes obscuras.
Uma dessas interpretações de dados mostrou uma estratigrafia de depósitos turbidíticos com altas taxas de hidrocarbonetos, estruturas internas das camadas de sal e, após o sal, camadas de rocha pertencentes a uma sequência do tipo Sin Rift com grande potencial gerador de óleo.

Imagem 4: Pré-sal. Fonte: Brasil Escola
Referências:
Plano Plurianual de Geologia e Geofísica. Ministério de Minas e Energia, Atualizado em 12/11/2020. Disponível em: <Plano Plurianual de Geologia e Geofísica — Português (Brasil) (www.gov.br)>. Acesso em: 20/10/2021.
Método sísmico na exploração de petróleo. Maxwell PUC–RIO. Disponível em: <Microsoft Word - Dissertacao_Aurelio_Figueiredo.doc (puc-rio.br)>. Acesso em: 20/10/2021.
A descoberta de um campo de petróleo e gás natural em 5 passos. Petrobrás.com.br, Atualizado em 20/02/2015. Disponível em: <Petrobras - Fatos e Dados - A descoberta de um campo de petróleo e gás natural em 5 passos>. Acesso em 20/10/2021.
Fainstein, Roberto, and Gonçalves de Souza Filho. "Offshore Brazil 2005 - Regional Update And Future Exploration." Paper presented at the 2005 SEG Annual Meeting, Houston, Texas, November 2005.
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