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Porque o petróleo é a base da sociedade: início da história, monopólio, impacto político e futuro

Hoje vamos falar sobre um assunto já enraizado em nosso cotidiano: o petróleo. Caso procure pesquisar, encontrará uma gama de informações e cá entre nós, se perderá em um mar de notícias e reportagens. Então, a intenção desse texto é esclarecer um pouco mais sobre o papel econômico e político do petróleo no mundo, e o que esperar deste recurso no futuro.

Falando um pouco de sua origem, a palavra petróleo vem da junção das palavras em latim petra (que significa pedra) e oleum (que significa óleo), sendo portanto um “óleo que nasce da pedra”. Porém, ao contrário de seu nome, o petróleo não se origina das rochas, mas da decomposição de seres vivos cujo habitat são os oceanos. Esses seres são chamados de plânctons e vivem em suspensão nos oceanos, se deslocando passivamente na água, normalmente levados pelos movimentos do ambiente, como ondas e correntes. São divididos em três categorias: o bacterioplâncton, que é composto por seres do reino Bacteria e Archaea, ou seja, principalmente bactérias; o fitoplâncton, seres fotossintetizantes, que são mais conhecidos; e o zooplâncton, que não produzem o próprio alimento, como por exemplo os protozoários.


Imagem 1: formação do petróleo


Portanto, a decomposição desses seres, causada pela ação de bactérias e da pouca oxigenação, ao longo de milhões de anos no fundo de lagos e mares, sendo pressionada pelos movimentos da crosta terrestre, deu origem a uma substância oleosa, composta pela combinação de moléculas de carbono e hidrogênio, os chamados hidrocarbonetos. Sua coloração varia entre o negro e castanho, além do cheiro bastante característico da substância.

Como dito anteriormente, é encontrado em zonas de bacias sedimentares e em camadas abaixo da superfície, que se localizam em regiões oceânicas, sendo extraído por meio de plataformas petrolíferas, que possuem a missão de perfurar o solo para encontrá-lo. Há a exploração do tipo onshore, realizada em terra firme, e a offshore, realizada no fundo dos oceanos. No tipo onshore o petróleo pode sair do solo apenas pela pressão exercida pelos fluidos ou necessitar de máquinas para retirá-lo (os chamados cavalos-de-pau). As primeiras explorações de petróleo com a perfuração de poços no continente se iniciaram em 1850 na Escócia e em seguida em 1859 nos Estados Unidos, Pensilvânia, sendo depois utilizado comercialmente não só na América do Norte, mas por todo o mundo. Em 1938, considera-se que o mundo entrou completamente na era do petróleo, pois 30% da energia usada no planeta passou a vir diretamente deste recurso natural.



Imagem 2: exploração do tipo onshore e offshore


O petróleo e seus derivados vêm sendo utilizados desde 5.000 anos a. C. pelas antigas civilizações, sendo úteis na iluminação na forma de querosene, permitindo à população tanto das cidades como do campo dormir mais tarde, possibilitando dessa forma a realização de funções que antes não podiam ser realizadas após o anoitecer, como por exemplo, ler e escrever, tendo sido com isso, um vetor importantíssimo na Segunda Revolução Industrial, quando sua utilização passou a ser em larga escala, nas mais diversas atividades que necessitavam de fonte energética. O desenvolvimento da indústria química na época expandiu as possibilidades de uso desta substância, que agora poderia ser usada como combustível (motor a combustão - a gás e a gasolina) tornando-a valiosa economicamente e alvo de grande procura por parte das indústrias em evolução.


Hoje o petróleo é uma das matérias-primas mais importantes da civilização moderna. É utilizado como fonte de energia e seus derivados são transformados em diversas coisas cotidianas, como o plástico, borracha sintética, solventes, detergentes, explosivos, produtos farmacêuticos, entre outras muitas aplicações. Pense só: como seria o mundo sem as milhares de coisas feitas de plástico? Ou sem as cores das tintas e corantes? Até a maquiagem, veja bem, é derivada de petróleo. Assim, o petróleo se tornou indispensável no cotidiano humano. Países como Estados Unidos e China possuem grande demanda de petróleo, que hoje já fica por volta de 20% para os EUA e 16% para a China, portanto enfrentariam grandes dificuldades caso houvesse algum problema no fornecimento de petróleo, que já se sabe, vai se esgotar um dia. É de conhecimento geral que o petróleo é um recurso finito, e a constante exploração não permite que haja tempo suficiente para a formação de mais desse recurso, já que se trata de um processo extremamente lento. Portanto, se a exploração continuar em alta, a humanidade terá de achar outra fonte de energia para substituir o petróleo.


Isto significa que, aqueles que o possuem, além de garantir uma fonte de renda, também conseguem representar certo domínio de poder, pois a maioria das nações deseja adquirir esse recurso para o próprio abastecimento. Por isso, não é difícil entender por que a posse das áreas de extração de petróleo é tão cobiçada por diversas nações.



Imagem 3: algumas das diversas aplicações do petróleo


O que esperar do futuro do petróleo?


De modo geral, é possível dizer que os países que possuem amplas reservas desse recurso e os que o consomem em grande quantidade são os principais atuantes na geopolítica do petróleo. Desta forma, os membros da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) formam parte dessa dinâmica, que inclui também outras nações, como os Estados Unidos e a China, sendo eles os maiores consumidores da atualidade. A OPEP é um grupo de 23 países exportadores de petróleo que contou com cinco membros fundadores, a saber, Irã, Iraque, Kuwait, Arábia Saudita e Venezuela. Em 1971 outras seis nações se juntaram: Qatar, Indonésia, Líbia, Emirados Árabes Unidos, Argélia e Nigéria. Eles se reúnem todos os meses em Viena para decidir quanto petróleo bruto será colocado no mercado mundial. Foi formado em 1960 como um cartel, com o objetivo de fixar a oferta mundial de petróleo e, por consequência, seu preço. É parte dos objetivos do grupo adaptar a oferta e demanda do recurso no mundo, movimentando o mercado mundial e garantindo certo monopólio para os países membros.

Por isso, a localização geográfica dos recursos, a estabilidade política e econômica dos países produtores e consumidores e os arranjos de poder envolvendo o controle da cadeia de produção e de distribuição de recursos energéticos são temas altamente sensíveis para a segurança nacional dos Estados e para o bem-estar dos indivíduos.


Imagem 4: símbolo da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo)


Se tratando do cenário econômico atual, de acordo com o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás, em 2021, no primeiro lugar do ranking estão os Estados Unidos, com uma produção de 16,58 milhões de barris por dia, seguido pela Arábia Saudita, com 10,95 milhões barris por dia e pela Rússia, com 10,94 milhões barris por dia. O Brasil está como o nono maior produtor mundial com 3,67 milhões de barris por dia. Os Estados Unidos, sendo líder mundial na produção e consumo de petróleo, tem sua postura geopolítica influenciada pela posição de poder, o que explica as diversas ações feitas pelo país a fim de ampliar seu mercado e abaixar os custos da importação do petróleo.

Já para a indústria e para os especialistas em tecnologia, os desafios atuais englobam o desenvolvimento de novos materiais que tornem os equipamentos de extração e manuseio de petróleo mais leves e que permitam reduzir o maquinário que fica na parte superior da plataforma. Assim, é possível transferir para o fundo do mar processos que poderão ser operados remotamente, tornando assim o acesso mais fácil e viável, já que um dos maiores empecilhos ao se tratar de petróleo é a sua exploração, por estar muito abaixo do nível do mar. No Brasil, o uso de tecnologias avançadas, como robótica e inteligência artificial, digitalização e automação devem tornar as operações mais baratas, eficientes e seguras, mas ainda assim é necessário manter a competitividade do valor do barril.

Sob outro ângulo, o petróleo é uma das fontes de energia mundiais, e energia é definitivamente uma divisora de águas com potencial político, econômico e ambiental, já que envolve instituições locais (como governos, sindicatos, corporações, ONGS) e internacionais (Estados, empresas transnacionais, agências multilaterais). A energia lida ainda com o consumo de recursos naturais que geram externalidades negativas para o meio ambiente e que afetam as escolhas das futuras gerações, tema que provoca reações em grupos ambientalistas e que reverbera em instituições nacionais, regionais e multilaterais. Por fim, energia é um tema vital para o bem-estar das pessoas em suas atividades diárias, como trabalhar, estudar e viajar, sendo inconcebível pensar num mundo sem ela. Por isso, o futuro do petróleo ainda é incerto e depende dos vários fatores ditos aqui. Logo, só nos resta esperar e torcer para que as forças que detém maior parcela do poder e influência mundial estejam abertas à mudança.


REFERÊNCIAS


PETROBRAS (1975). O fabuloso mundo do petróleo. PETROBRAS. Rio de Janeiro. 48p. ----------(1984). O Petróleo e a PETROBRAS. PETROBRAS. Rio de Janeiro. 25p.

REVISTA ISTO É. O petróleo é (todo) nosso. A história do combustível no Brasil, das primeiras descobertas à conquista da auto-suficiência. Edição Especial. Ed.Três (2005 ?) 146p. TRANSPETRO. Revista 30 anos do Terminal Aquaviário de Santos. Petrobras/Transpetro. Edição comemorativa. 1ª Edição. 8pp. Outubro de 2006.





 
 
 

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