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Bacias Petrolíferas Brasileiras III: Espírito Santo

Por: Hugo Oliveira

A Bacia do Espírito Santo


A Bacia do Espírito Santo-Mucuri é normalmente apresentada como uma bacia única. Isso porque não existe um limite geológico claro para separá-las, porém, nesse texto abordaremos apenas a fração geográfica que corresponde à Bacia do Espírito Santo.


A Bacia do Espírito Santo está localizada na margem leste do Brasil (Fig. 1). Limitada ao Sul pela Bacia de Campos, faz fronteira com a Bacia Cumuxatiba e se limita geograficamente ao Norte com a Bacia do Mucuri. Possui uma área com cerca de 115.200 km², sendo que quase 90% dessa área se encontra submersa.

Figura 1 - Bacia do Espírito Santo (retirada da 14ª Rodada de Licitações de Petróleo e Gás, 2017).


Geologia da Bacia


Assim como as demais bacias da costa brasileira, a do Espírito Santo também faz parte das bacias sedimentares de margem passiva, formadas a partir da separação do Supercontinente Gondwana, que deu origem ao continente africano e sul-americano, há cerca de 140 milhões de anos. A Bacia do Espírito Santo está estabelecida sobre um terreno Pré-Cambriano, formado por rochas ígneas e metamórficas.


A partir do diagrama estratigráfico mostrado na figura 2, França et al., reconhece três etapas principais na evolução estratigráfica da Bacia: as fases rifte, pós-rifte e drifte. Na fase rifte houve o domínio de ambiente lacustre com deposição basicamente de carbonatos, que caracteriza a fase inicial de ruptura do então continente.


A fase pós-rifte é identificada por evaporitos e sedimentos siliciclásticos, que são parte do registro das primeiras entradas do mar no continente. A fase drifte apresenta grandes pacotes de rochas sedimentares já submersos, em locais mais profundos dessa fase há a ocorrência de sistemas petrolíferos comprovados.

Figura 2 - Estratigrafia da Bacia do Espírito Santo (França et al., 2007)


Os Sistemas Petrolíferos


Desde 1969 se tem conhecimento da presença de hidrocarbonetos na porção terrestre da Bacia do Espírito Santo. Para que seja possível a existência de um sistema petrolífero, várias condições são pré-requisitos.


As condições necessárias para que exista um sistema petrolífero de fato são: a geração do petróleo, sua migração, seu armazenamento em rochas reservatório, seu aprisionamento por rochas selantes e sua acumulação por trapas estruturais.


Geração

A geração de petróleo nesta Bacia se dá por folhelhos lacustres localizados na parte superior da sequência rifte. Os teores de carbono orgânico total desses folhelhos estão por volta de 2 a 7%.


Há também camadas de folhelhos negros que são associados a evaporitos da Formação Mariricu (Fig. 3), consideradas potenciais rochas portadoras com teores de carbono orgânico total que variam entre 0,5 e 2,0%. Tanto a geração de petróleo por folhelhos lacustres e folhelhos negros correspondem a porção terrestre da Bacia.


Já as rochas potenciais geradoras da Formação Regência são representadas por margas e calcilutitos que foram depositados em ambiente marinho anóxico. Mas são os folhelhos negros da Formação Urucutuca localizados em ambiente submerso, os principais geradores, com teores de carbono orgânico total de 2 a 8%.

Figura 3 - Representação Esquemática da Bacia do Espírito Santo (ANP/COPPE, 2008).


Migração

A migração consiste no transporte do óleo proveniente das rochas geradoras até locais com menor pressão e maior porosidade, onde os fluidos gerados permanecem armazenados e selados. Neste contexto, essa migração é, de maneira geral, vertical e de curta distância e através de flancos de domos de sal devido a falhas a eles associados. A migração pode ocorrer aqui também devido ao contato direto entre rocha geradora e rochas reservatório, por consequência de estruturas de empurrão.


Rochas reservatório

As rochas reservatório correspondem a rochas sedimentares com boa porosidade, que armazenam os fluidos que foram gerados e migrados até elas. Neste caso, o reservatório é formado por sedimentos clásticos da Formação Mateus estabelecida em plataforma rasa. Já na parte terrestre, as rochas reservatório são compostas por arenitos do Membro Mucuri.

Na fração marítima, os reservatórios são os arenitos turbidíticos da Formação Urucutuca. A porosidade desses reservatórios são consideradas muito boas.


Rochas Selantes

As rochas selantes funcionam como uma barreira que não deixa os fluidos aprisionados nas rochas reservatório escaparem. Neste contexto, as rochas selantes mais antigas são retratadas por evaporitos, mas os folhelhos e sedimentos finos são os selantes mais abundantes da Bacia. Todas as rochas selantes correspondem à Formação Urucutuca.


Trapas

As trapas, também conhecidas como armadilhas, são estruturas geológicas que propiciam a acumulação de fluidos como óleo e gás. Na Bacia do Espírito Santo, essas armadilhas ocorrem de algumas maneiras, como em Horsts e Grabens que favorecem a concentração de fluidos e anticlinais associadas às falhas que são relacionadas à quebra de talude e à movimentação de domos de sal.


Produção de óleo e gás na Bacia do Espírito Santo

A produção terrestre de óleo e gás na Bacia do Espírito Santo começou em 1969. Já a produção desses fluidos no mar se iniciou apenas em 1977. O poço pioneiro na produção de petróleo no mar do Espírito Santo se localiza a 7 km de distância da costa do estado, com uma lâmina d'água relativamente fina, de 19 metros.


Devido à descoberta de grandes reservatórios de óleo e gás na Bacia de Campos nos anos 70, os esforços para exploração e extração ficaram todos voltados para essa região, com isso a exploração na Bacia do Espírito Santo ficou restrita às águas rasas, tendo uma produção média histórica de cerca de 20 mil barris de petróleo por dia. Só no final dos anos 90, com a utilização de novas tecnologias, se começou a exploração em poços cada vez mais profundos no estado.


A partir do início da produção de petróleo e gás da camada pré-sal no sul do estado, por volta de 2008, houve um grande crescimento na produção capixaba, que alcançou uma média de 116 mil barris por dia. Em 2014 a produção média de gás natural superou os 10 milhões de metros cúbicos diários.

Tabela 1 - Produção de Gás natural e Petróleo por estado. Fonte: ANP/SDP/SIGEP - Abril/2022.


Com o auxílio da Tabela 1 e do Gráfico 1, é possível notar a importância do Espírito Santo no cenário nacional. Dados de abril de 2022 mostram que o estado capixaba tem uma produção atual de mais de 166 mil barris de óleo por dia, sendo o terceiro maior produtor de petróleo do Brasil, com 5% do total, atrás do Rio de Janeiro e de São Paulo, com 83% e 9%, respectivamente, da produção brasileira.

Gráfico 1 - Produção de Petróleo por estado em porcentagem. Fonte: ANP/SDP/SIGEP - Abril/2022.


Referências:

AGÊNCIA NACIONAL DE PETRÓLEO, GÁS NATURAL E BIOCOMBUSTÍVEIS. Boletim da Produção de Petróleo e Gás Natural. Boletim da Produção de Petróleo e Gás Natural , [S. l.], p. 1-34, 31 maio 2022.


ÁVILLA, RONAM. Bacia do Espírito Santo - Mar: Sumário Geológico e Setores em Oferta. Brasil 14ª Rodada Licitações de Petróleo e Gás, [s. l.], 2017.


Comunica Espírito Santo: Quem somos. [S. l.], ca. 2022. Disponível em: https://comunicaespiritosanto.petrobras.com.br/quem-somos. Acesso em: 3 jun. 2022.


Gamboa, D., Alves, T., Cartwright, J., & Terrinha, P. (2010). MTD distribution on a “passive” continental margin: The Espírito Santo Basin (SE Brazil) during the Palaeogene. Marine and Petroleum Geology, 27(7), 1311–1324. https://doi.org/10.1016/j.marpetgeo.2010.05.008


Vieira, R A.B., Mendes, M P, Vieira, P E, Costa, L A.R., Tagliari, C V, Bacelar, L A.P., and Feijo, F J. Espirito Santo and Mucuri Basins; Bacias do Espirito Santo e Mucuri. Brazil: N. p., 1994. Web.



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