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Bacias Petrolíferas Brasileiras II: Campos

Por: Luan Miguel Ferreira Meireles

Introdução


A Bacia de Campos é uma bacia de Margem Passiva, com uma área de cerca de 100 mil km². Ela abrange um domínio terrestre e marítimo que se estende da cidade de Vitória, no estado do Espírito Santo, até Arraial do Cabo, no litoral norte do estado do Rio de Janeiro, englobando 11 municípios do litoral fluminense. Seu nome deriva da cidade de Campos dos Goytacazes (RJ) e está localizada entre os Altos de Cabo Frio e Vitória (Figura 1).

Figura 1 - Localização dos limites da Bacia de Campos. Fonte: BASTOS, 2015.


Foi uma das primeiras descobertas de grande potencial exploratório em águas profundas. Atualmente, a atividade petrolífera desta bacia se apoia nas operações offshore de exploração e produção em águas profundas (entre 400 e 1000 metros de profundidade) e ultraprofundas (a partir de 1000 metros de profundidade), incluindo atividades de sísmica, perfuração, produção e escoamento.


Vale destacar que parte da área do pré-sal está dentro dos limites da Bacia de Campos e, hoje, aproximadamente 30% do volume total produzido são provenientes do pré-sal.


Evolução tectonoestratigráfica


A origem e evolução da Bacia estão relacionadas ao processo de abertura do Atlântico Sul, como resultado de esforços tectônicos que provocaram a fragmentação do paleocontinente Gondwana (Figura 2).

Figura 2 - Reconstrução da abertura do Atlântico Sul, modificado de Mohriak (2003).


Na fase inicial de preenchimento da bacia, ocorreram derrames basálticos que constituíram o assoalho de todo o preenchimento sedimentar da Bacia de Campos, que corresponde à Formação Cabiúnas.


Posteriormente, depositou-se o pacote rifte de conglomerados com abundantes clastos de basalto, além de arenitos, folhelhos ricos em matéria orgânica e coquinas da Formação Lagoa Feia. A parte superior dessa formação, por sua vez, caracteriza-se como uma sequência de conglomerados e folhelhos avermelhados de idade Aptiana, recobertos por uma seção de evaporitos do Neoaptiano.


Já no Albiano-Cenomaniano, as condições marinhas prevaleceram na bacia, ocorrendo a Formação Macaé, que consiste em carbonatos clásticos e oolíticos em sua porção inferior. Na parte superior depositaram-se calcilutitos, margas, folhelhos e arenitos turbidíticos e nas porções proximais, predominam conglomerados e arenitos pobremente selecionados.


O Grupo Campos representa o preenchimento desta bacia marginal durante a fase final de subsidência térmica e basculamento do substrato para leste. Este pacote é representado por sedimentos areno-conglomerático-carbonáticos proximais da Formação Emborê, que gradam para folhelhos e margas nas porções distais da Formação Ubatuba. Essa última Formação também compreende intercalações de arenitos turbidíticos.

Figura 3 - Carta estratigráfica da Bacia de Campos. (extraído de Winter et al., 2007)


Histórico de Exploração


Em 1974, a Petrobras identificou o primeiro campo de exploração comercial de petróleo, conhecido como Garoupa. Esse campo se encontra em águas rasas, à aproximadamente 124 m de profundidade.


Com a intensificação das pesquisas, no ano seguinte foi descoberto o campo de Namorado e, em 1976, o de Enchova. O início da produção comercial offshore começou em 1977 através do Sistema de Produção Antecipada instalado na plataforma Sedco 135-D, produzindo 10 mil barris diários (bpd) de óleo.


Já na década de 1980, vários campos em áreas profundas foram descobertos, como o de Roncador (≅1867 m), Caratinga (≅ 1027 m) e os Complexos de Marlim e Albacora (850 a 2400 m).


Anos mais tarde, a Petrobrás se deparou com um novo desafio: a exploração em águas ultraprofundas. O resultado foi a descoberta de dois campos de grande porte, o Jubarte (≅ 1355 m) e o Cachalote, no estado do Espírito Santo.


As conquistas deram continuidade ao longo dos anos quando, em abril de 2006, o Brasil venceu mais um desafio: a auto-suficiência em petróleo com a plataforma P-50, localizada na Bacia de Campos.


Além disso, nos últimos anos, novas descobertas se sucederam nessa bacia, tanto na camada pré-sal quanto no pós-sal.

Figura 4 - Algumas descobertas realizadas na Bacia de Campos (mod. Brandão & Guardado, [ca. 2000]).


Potencial Produtivo


A Petrobras, na Bacia de Campos, conta atualmente com 53 plataformas, e são cerca de 280 poços produtores em operação.


Isso faz com que seja um dos maiores complexos petrolíferos offshore do mundo, e sua contribuição para o desenvolvimento da economia do país é grande, visto que funciona como um laboratório a céu aberto e impulsiona diversos setores interligados a desenvolverem tecnologias para superar os novos desafios que surgem.


Entretanto, nos últimos anos, a produção da Bacia de Campos vem diminuindo consideravelmente. Essa bacia atingiu o pico de produção por volta de 2012, quando registrou pouco mais de dois milhões de barris de petróleo/gás natural (boe)/dia.


Vários fatores contribuíram para a redução da produção de petróleo e gás na Bacia de Campos, e um deles está no fato da Petrobras ter dirigido seu foco para o pré-sal da Bacia de Santos. Além disso, os campos gigantes que, no passado, chegaram a responder por 80% do volume de petróleo extraído no país, entraram em fase de declínio. A continuidade do aproveitamento da região depende de investimento e uso de tecnologias de recuperação.


Referências:


PEA-BC. BACIA DE CAMPOS. [S. l.], 2019. Disponível em: http://www.pea-bc.ibp.org.br/index.php?view=bacia-campos. Acesso em: 24 fev. 2022.


TERRITÓRIOS DO PETRÓLEO. Bacia de Campos. [S. l.], 2018. Disponível em: https://territoriosdopetroleo.eco.br/index.php/baciacampos/. Acesso em: 24 fev. 2022.


ESTADÃO CONTEÚDO. Ineep: Produção de petróleo na Bacia de Campos cai ao menor patamar do século. Isto É Dinheiro, 29 mar. 2021. Disponível em: https://www.istoedinheiro.com.br/ineep-producao-de-petroleo-na-bacia-de-campos-cai-ao-menor-patamar-do-seculo-2/. Acesso em: 24 fev. 2022.


DE OLIVEIRA , JULIO KOSAKA. EFEITOS DA POROSIDADE EFETIVA E DA ARGILOSIDADE NAS VELOCIDADES DE ONDAS P NO ARENITO NAMORADO. Orientador: JOSÉ AGNELO SOARES. 2005. Monografia (Geologia) - Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2005. Disponível em: https://pantheon.ufrj.br/bitstream/11422/4844/1/OLIVEIRA%2C%20J.K.pdf. Acesso em: 24 fev. 2022.


BASTOS, Gabriel et al. BACIA DE CAMPOS: Sumário Geológico e Setores em Oferta. ANP, [s. l.], 2017. Disponível em: https://www.gov.br/anp/pt-br/rodadas-anp/rodadas-concluidas/concessao-de-blocos-exploratorios/14a-rodada-licitacoes-blocos/arquivos/areas-oferta/sumario-campos.pdf. Acesso em: 24 fev. 2022.


FIGUEREDO, Erica Airosa. Bacia de Campos. InfoEscola, 2017. Disponível em: https://www.infoescola.com/geologia/bacia-de-campos/. Acesso em: 25 fev. 2022.


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